Senti falta de publicar os meus sonhos, ainda mais ultimamente, que voltei a sonhar com mais frequencia. Pois vou tentar retomar este hábito, porém o outro blog servirá apenas de museu, de lembrança, pretendo dar mais atenção ao meu domínio que está sendo tão pouco utilizado, coitado. =]
Foi na noite passada, foi bizarro:
Não era exatamente assim, mas é uma boa ilustração do que eu presenciei no sonho.
“Minhas duas colegas de profissão e faculdade Vivian e Thais finalizaram um trabalho acadêmico da disciplina Empreendedorismo. Pedi para analisar e folhear o trabalho delas. Rodolfo, também colega de profissão e faculdade, estava ao lado.
O motivo eu não sei, mas haviam várias figuras de peixes, aquários e outras coisas marinhas no trabalho, e uma das coisas que me chamou atenção foi um peixe meio transparente. Eu sugeri que poderia ter sido alguma falha na impressão daquela imagem, mas descartamos a possibilidade quando notamos que era possível enxergar nitidamente o que havia atrás do peixe, era definitivamente transparente.
Sonhos têm o incrível poder de trocar cenários e personagens de maneira completamente discreta. Já não estávamos mais observando o trabalho acadêmico das meninas, mas admirando um pequeno lago na nossa frente, com o peixe transparente submerso, parecendo morto. Rodolfo enxergou uma semelhança daquele animal com um saco plástico, era realmente parecido. Quase pude ver uma lâmpada de ‘idéial genial!’ surgindo na cabeça dele, Rodolfo estava prestes a praticar uma travessura. E a fez. Pegou o peixe transparente, jogou na direção de um mendigo para que o pobre pensasse se tratar de uma sacola transparente com comida dentro. Rodolfo realmente desejava que o mendigo se alimentasse das vísceras do peixe, e via graça naquilo. Eu vi graça naquilo. Não tenho culpa. ”
Em minha última aula de Psicologia Cognitiva demos continuidade ao tema tomada de decisões, abordando heurísticas e métodos utilizados por seres humanos em suas decisões,julgamentos e raciocínio. Neste post vou me concentrar nas teorias da utilidade e do prospecto.
O professor Peter Claessens deu início fazendo a seguinte proposta fictícia à classe:
Você tem a opção de jogar 2 dados de 6 lados. Caso o resultado dos 2 dados lançados sejam iguais, você ganha R$12,00, caso contrário, você perde R$3,00. Você toparia entrar na aposta?
Segundo a Teoria Normativa, aquela inspirada pela economia, a probabilidade do resultado ser 2 dados iguais é de 1/6, enquanto a probabilidade de ser 2 dados diferentes é de 5/6. Assim sendo, o valor esperado para aquele que aceita a aposta é calculado da seguinte maneira:
Valor esperado = 1/6 x R$12,00 + 5/6 x R$3,00 = -R$0,50
Podemos considerar então, 2 tipos de decisão daquele que recebeu a proposta:
Decisão A: Não aceitar – Ganho esperado de R$0,00
Decisão B: Aceitar – Ganho esperado de -R$0,50 (Perda de R$0,50)
Podendo concluir que, segundo a teoria normativa ou teoria da utilidade esperada, a melhor decisão seria não aceitar a proposta, considerando que o ganho esperado é maior.
Entretando, a Teoria do Prospecto, proposta por Kahneman & Tversky, ou Teoria descritiva, que levou o psicólogo Kahneman ganhar o prêmio Nobel de economia em 2002, evidencia, através de experimentos comportamentais, o fato de que as tomadas de decisões entre os seres humanos seguem alguns padrões que não necessariamente são baseadas em probabilidades de ganhos esperados. Vejamos as seguintes propostas:
Jogo A: Escolher entre
Ganho de R$500,00 com 100% de probabilidade
Ganho de R$1000,00 com 50% de probabilidade (sendo os outros 50%, R$0,00)
Jogo B:Escolher entre
Perda de R$500,00 com 100% de probabilidade
Perda de R$1000,00 com 50% de probabilidade (sendo os outros 50%, R$0,00)
Os experimentos comportamentais revelaram que no caso do Jogo A, a maioria das pessoas optou pelo ganho certo de R$500,00, enquanto no Jogo B, a maioria optou pela perda incerta de R$1000,00. Ou seja, a perda “pesa mais” para o ser humano, que possui aversão ao risco em ganho e busca de risco em perda.
Vejamos outro experimento comportamental. Dois dilemas foram propostos aos voluntários:
Dilema 1: Aplicando a vacina
A, 200 pessoas serão salvas com probabilidade de 100%
B, 600 pessoas serão salvas com probabilidade de 33,3%
Dilema 2: Aplicando a vacina
C, 400 pessoas morrerão com probabilidade de 100%
D, Niguém morrerá com probabilidade de 33,3%
Os resultados revelaram que no caso do Dilema 1, 72% das pessoas optaram pela aversão ao risco (vacina A), enquanto no Dilema 2, 78% das pessoas optaram pela busca de risco (vacina D). Estes resultados revelam a limitação da racionalidade do ser humano, visto que se forem analisadas as probabilidades dos 2 dilemas, se tratam exatamente do mesmo problema. Este é o chamado efeito de estruturação: quando o mesmo problema leva a estratégias diferentes devido ao enquadramento (aspectos irrelevantes para a decisão).
Em aula vimos ainda sobre alguns aspectos da tomada de decisões em grupo. Nestes tipos de decisão temos geralmente alguns aspectos vantajosos: acumulação de idéias, conhecimento e memória. E alguns desnvantajosos: O pensamento de grupo pode atrapalhar a tendência para evitar conflitos, causar atitude de mente fechada, supressão de dissensão, unânimidade falsa e decisões prematuras, conservadoras e imperfeitas. O “andídoto” proposto para evitar estas desvantagens me lembrou muito as idéias do desenvolvimento ágil, que já comentei em outros posts: Líder imparcial, cultura aberta à crítica construtiva, a informações vindas de fora, formação de subgrupos, etc.
Concluímos que a teoria da utilidade desconsidera o fato de que muitas situações de risco são sujeitas a pressão emocional e de tempo, e que existem algumas variáveis que nos impossibilitam de utilizar 100% de nossa racionalidade – todos os cálculos e probabilidades nem sempre cabem em nossa memória de trabalho. E é por este motivo que o ser humano acaba, naturalmente, utilizando heurísticas: modelos de tomada de decisão que nem sempre retornam a solução otimizada, mas a mais sensata, levando em consideração as inúmeras variáveis que possuem os seres-humanos.
Não percam os meus próximos 2 posts: Continuarei tratando sobre o tema “Tomada de Decisões”, abordando métodos e heurísticas utilizadas por seres-humanos em Julgamentos e Raciocínio.
Sexta-feira, calor, muita água, muito café também, almoço no shopping com a galera do trabalho, apresentação dos funcionários novos, nenhuma matéria na faculdade, namorada no fim do expediente, shopping, cinema, pipoca, Michael Jackson, This is it!
Confesso que fui ao cinema mais pelo interesse de Isabela, minha namorada. Nunca fui grande admirador da figura de Michael Jackson – não por possuir alguma aversão à personalidade, nem tampouco por qualquer tipo de preconceito ou algo do gênero. Ainda assim, tem o meu respeito, meu reconhecimento de sua importânciae influência e não nego que sua batida é envolvente, nem que estou assobiando Billie Jean neste exato momento.
Também não posso dizer que seu filme póstumo This is it me fez mudar de opinião e me tornou um fã. Nada disso. Mas definitivamente me envolveu, me fez refletir sobre sua história, apesar do filme não ser nem um pouco biográfico e apesar ainda de meu conhecimento quase nulo sobre a sua vida, salvo aquele adquirido em épocas de escândalos ou nestes últimos meses, após a sua morte. Limitado pela minha ignorância, não ouso tirar conclusões sobre a vida de Michael Jackson, mas tenho palpites e eles absolvem o rei do pop de qualquer acusação de pedofilia e o classificam como uma pessoa boa – não como um exemplo, simplismente como uma pessoa boa.
O documentário de 111 minutos This is it, dirigido por Kenny Ortega, parceiro de Michael Jackson na produção do show, possui filmagens dos bastidores, ensaios e produções de novos video-clipes para os clássicos de MJ, que seriam exibidos no que seria o seu próximo show. Os registros realizados desde a seleção exigente de Michael para os dançarinos do show, até os ensaios para a música de fechamento, iriam para o seu arquivo pessoal e parte deles seriam exibidos durante o espetáculo.
Além da indiscutível capacidade de inovar de Michael Jackson, as filmagens revelaram algumas minunciosidades da personalidade do astro que o tornaram tão inovador e irreverente. Seu perfeccionismo era diferente – os ensaios e as passadas de músicas, tons e passos evidenciavam a capacidade de que Michael tinha de sentir o seu trabalho – repetir um trecho de uma determinada música sozinho, de maneira introspectiva, ou pular, dançar, espernear, sentindo a sua música, até estar satisfeito, não com o tom, com a melodia ou com a coreografia padronizada, mas com a maneira que estes fatores deixavam o seu estado de espírito – e todas estas irreverências criadas naturalmente fariam parte do seu show.
Foi interessante notar como os produtores se comunicavam e davam feedbacks a Michael – havia uma cautela peculiar, ao mesmo tempo em que pareciam preocupados em não aborrecerem o rei, demonstravam um profundo respeito à figura com quem estavam tratando. O mesmo acontecia, de forma ainda mais interessante, quando era Michael Jackson que precisava dar algum feedback aos seus músicos, dançarinos ou produtores – Era modesto, tinha consciência de que seus pedidos seriam atendidos sem pestanejos, mas fazia questão de tentar não demonstrar nenhum tipo de arrogância, nem autoritarismo – “Falo isso por bem”, “Não é por mal”, “Entendam por favor, é tupo por amor – A-M-O-R”, “Deus os abençõe!”. Como eram diferentes as maneiras com que aprendia a ser um artista com seu pai! Como frases singelas como estas demonstravam uma vida inteira de rancor…
Por final, o que mais me fez refletir foram os seus ensaios, mais especificamente a maneira como ele dançava e cantava – não pela irreverência, mas pela economia de esforço. A princípio estranhei muito o fato de seus dançarinos demonstrarem muito mais ânimo do que o próprio Michael Jackson, ou de seus vocais se dedicarem muito mais a darem um espetáculo, mas aos poucos foi possível notar que realmente era uma economia de esforço, Michael chegou a se culpar quando cantou tão bem e promoveu um espetáculo particular aos presentes no ensaio de Just can’t stop love you, dizendo que não deveria ter feito aquilo, que tudo aquilo era apenas um aquecimento. Fui longe me recordando de minhas aulas de física – nenhuma energia se cria ou se destrói, apenas se transforma – se um corpo é solto no ar a gravidade faz com que ele possua energia mecânica, oriunda de sua energia potencial, enquanto estava com velocidade zero – e foi justamente esta energia potencial que Michael Jackson possuia nos ensaios. Comecei a imaginar: Se mesmo sem todo o esforço possível, os bastidores de This is it foram sensacionais, o que o show revelaria no momento de transformar toda aquela energia potencial? E após a sua morte, de que maneira ela foi transformada? Talvez seus amigos próximos ou parentes a tenham utilizado de alguma maneira, ou algum outro artista a aproveitado em algum outro show qualquer, ou talvez o mundo possa ter ficado um pouquinho melhor e grato a Michael Jackson…
Continuando a exposição das aulas de psicologia cognitiva, tratarei neste post sobre um dos mecanismos mais importantes da cognição e da inteligência humana, a memória, definida em aula como “Habilidade de adquirir, reter e usar informações e conhecimentos”.
A memória implica em constantes mudanças, no contexto humano trata-se de informações que de alguma maneira podem ser armazenadas e posteriormente utilizadas, basicamente consiste em consolidação, quando a informação desaparece da consciênciae evocação, quando a informação retorna à consciência. Seu bom funcionamento, paradoxalmente, depende do esquecimento.
Assistam o seguinte vídeo, um teste psicológico em que há 2 times, um de branco e um de preto, cada um tocando bolas de basquete entre os seus jogadores. O objetivo é contar o número de passes que o time de branco faz entre os seus jogadores, mas fiquem atentos pois a velocidade dos passes e os jogadores de preto podem confundir a sua contagem:
Update: Para melhores resultados no testes é interessante que o vídeo seja carregado antes de assisti-lo.
Em sala de aula a grande minoria das pessoas, não me lembro exatamente quantas, perceberam que há uma “surpresa” no meio do vídeo. Isto se deve ao fato de que geralmente o cérebro “exclui” elementos que não possuem importância para o foco de sua atenção – a exclusão do gorila de sua memória é essencial para que você conte corretamente o número de passes entre os jogadores de branco.
Outro caso curioso sobre esquecimento citado em aula foi o de Solomon Shereshevsky, um homem com uma memória “quase perfeita”, capaz de lembrar os mínimos detalhes de um livro, os dados de uma lista telefônica inteira, todos os objetos de um ambiente, etc., pelo fato de que seu cérebro raramente excluía informações de sua memória. Parece ser muito bom e divertido, mas Solomon não conseguia reconhecer nem mesmo as faces de seus próprios familiares, uma vez que cada expressão era interpretada como imagens distintas em seu cérebro – prestava atenção nos detalhes ao custo do sentido global, não abstraindo nem metaforizando quase nada.
Vamos fazer mais um teste – Tente decorar durante uns 5 segundos (colabore) as palavras abaixo, em seguida desvie o seu olhar do monitor e escreva em uma folha de papel as palavras que conseguir lembrar.
Provavelmente você conseguiu se lembrar das palavras que estavam mais no topo (Retrato, Libélula…) e na base (Prancha, Irmão…), é o que ocorre, em média, com as pessoas que fazem este teste, pelo fato de que as palavras localizadas no topo da lista tiveram muito mais tempo para serem consolidadas do que as restantes, uma provável relação com a memória de longo prazo e as da base ainda estão ativas por serem mais recentes (considerando que a maioria das pessoas lê de cima para baixo), uma provável relação com a memória de curto prazo, enquanto as do meio nem foram suficientemente consolidadas a ponto de serem evocadas por sua consciência, nem são tão recentes a ponto de ainda estarem ativas em sua consciência.
As evidências observadas em cada modelo ou tipo de memória nos levam a chegar em algumas conclusões e deduzir algumas técnicas de memorização. Não é meu objetivo expor todas estas técnicas, nem ensiná-los a como ter uma memória excepcional, mas são exemplos interessantes dados em aula :
Vejam este pequeno exemplo sobre memória sensorial:
Esta imagem foi exibida para alguns voluntários durante 50 milisegundos. Niguém se recordou de todas as letras. Alguns sinais sonoros foram associados a cada fileira e as associações foram ensinadas aos voluntários. A tarefa seguinte era tentar recordar as letras correspondentes ao sinal sonoro emitido – a maioria das pessoas se lembrou de todas as letras da fileira, levando à conclusão de que o tempo de consolidação da informação tem importância, mas a maneira como esta informação é estruturada é trivial para a sua evocação.
Em outro teste realizado em aula, uma voluntária saiu da sala enquanto a seguinte sequência de números foi apresentada durante uns 2 segundos a um segundo voluntário:
1 4 0 2 8 0 5 6 0
Ao tentar se recordar de todos os números, em ordem, o resultado não foi muito positivo – alguns números foram esquecidos e outros estavam em posições diferentes. A voluntária fora da sala foi chamada e a seguinte sequência foi apresentada também durante uns 2 segundos:
140 280 560
Ela se recordou de todos os números sem nenhuma dificuldade. A técnica chamada de agrupamento (chunking) nos mostra que provavelmente o ser humano possui uma quantidade limitada de elementos que podem ser acessíveis em curto prazo, desta maneira, elementos agrupados se tornam um só elemento, facilitando a evocação.
A eficiência do agrupamento visual também foi demonstrado em um experimento com voluntários novatos e experientes em jogos de xadrez:
Arranjos de peças reais, que geralmente são oriundos de determinadas sequências de jogadas, foram apresentados a todos os voluntários:
Jogadores experientes se lembraram em média da posição de 16 peças;
Novatos se lembraram em média da posição de 4 peças;
Arranjos de peças aleatórios foram apresentados a todos os voluntários:
Jogadores experientes se lembraram em média da posição de 3 peças;
Novatos se lembraram em média da posição de 3 peças;
Hierarquizar elementos ou informações (criando mapas ou fluxogramas) também é um método eficiente para facilitar a evocação, uma vez que ela é realizada através de conexões entre os neurônios – um elemento se relaciona ao outro no cérebro humano, esquematizá-lo no papel é uma boa pedida!
O estado no qual um indivíduo se encontra enquanto consolida informações também influencia. Alguns voluntários foram levados a estudar/memorizar em diferentes situações:
Dentro e fora da água
Os que estudaram dentro se lembraram de mais coisas quando tentaram evocar informações dentro do que fora;
Os que estudaram fora se lembraram de mais coisas quando tentaram evocar informações fora do que dentro;
Com e sem ruído
Os que estudaram comruído se lembraram de mais coisas quando tentaram evocar informações com do que semruído;
Os que estudaram sem ruído se lembraram de mais coisas quando tentaram evocar informações sem do que com ruído;
Triste ou feliz
Os que estudaram tristes se lembraram de mais coisas quando tentaram evocar informações tristes do que felizes;
Os que estudaram felizes se lembraram de mais coisas quando tentaram evocar informações felizes do que tristes;
Esta é outra boa dica para quem deseja estudar ou memorizar coisas, mas é muito importante lembrar que para que as informações possam ser evocadas com facilidade em qualquer lugar ou situação é necessário que os estudos e a memorização aconteçam em lugares distintos, com influências distintas.
A consolidação da memória também pode ser sugestionada. Voluntários assistiram a um vídeo de acidente de carro, em seguida foram questionados da seguinte maneira:
“Qual era a velocidade aproximada do carro quando se (verbo)?”
No qual o verbo variou com cada voluntário (esmagou, chocou, bateu, tocou). Quanto “mais intensos” eram os verbos da pergunta, maiores foram as estimativas das velocidades respondidas. No acidente nenhum vidro do carro se quebrou, mas as pessoas foram questionadas sobre este fato e as que ouviram a primeira pergunta com os verbos “mais intensos” responderam mais positivamente do que as que ouviram a pergunta com os verbos “menos intensos”.
Este tipo de consolidação após evento é muito comum em audiências judiciais, em que testemunhas podem ser sugestionadas a fornecer uma determinada resposta dependendo da meneira como a questão é realizada.
Estudamos alguns modelos sobre o funcionamento da memória propostos por diferentes pesquisadores em diferentes épocas. Não vou entrar em detalhes sobre cada um deles, mas todos se relacionam ou com memórias de curto e longo prazo ou com memória de trabalho (ligada mais a representações visuais e fonológicas do que ao tempo) ou com relações entre todos estes tipos de memória, com alguns alicerces semânticos e sintáticos da informação que pode ser armazenada.
Aí vão alguns links sobre diferentes tipos e modelos de memória vistos em aula:
Na semana passada eu e toda a equipe de desenvolvimento da UFABC fomos ao Rails Summit 2009, maior encontro de Ruby on Rails da América Latina. O evento, promovido pela Locaweb e guiado por Fábio Akita, teve a sua segunda edição realizada nos dias 13 e 14 de outrubro, no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo. Confira qual foi a programação do evento.
Foram várias as palestras e os temas apresentados durante o Rails Summit, desde valores e paradigmas da linguagem e do framework, até detalhes técnicos e novidades sobre o assunto.
A palestra de fechamento do evento foi apresentada por Obie Fernandez, autor do The Rails Way, o guia de referência definitiva para Ruby on Rails, editor da Addison-Wesley Professional Ruby Series e reconhecido membro da comunidade internacional de Ruby. Obie é o CEO/fundador da Hashrocket, consultoria web e desenvolvedora de produtos em Jacksonville Beach, Flórida.
Palestra: “Dominando a Arte de Desenvolvimento de Aplicações”
A palestra teve o objetivo de comparar o desenvolvimento de aplicações com criações artísticas. Obie iniciou descrevendo as maneiras como um indivíduo pode ser considerado especialista em alguma coisa, sugerindo como regra maior a prática: “Practice, practice and practice” (Praticar, praticar e praticar). Apesar do caráter óbvio desta colocação, a idéia parece não ser tão simples. Obie dividiu em 3 níveis o domínio que alguém possui sobre alguma modalidade, seja ela esportiva, artística ou de programação. Não me lembro exatamente como foram as classificações atribuídas por ele, mas era algo assim:
1º nível: O especialista. A pessoa é expert e muitas vezes uma importante referência naquilo que faz.
2º nível: O bom conhecedor. Apesar de não ser a melhor em sua área, a pessoa tem um bom conhecimento. Não passa vergonha.
3º nível: O mediano. Não é leigo, mas pode estar longe de ser o especialista da sua área.
Segundo algumas pesquisas, o tempo médio de prática para que um ser-humano possa se tornar especialista em alguma modalidade em algum momento de sua vida é em torno 10000 (dez mil) horas. Desta maneira, calculando bem por cima, um programador Ruby, por exemplo, com uma jornada diária de 8 horas, levaria cerca de 5 anos para ser especialista na linguagem. Porém, nesta estimativa alguns fatores que não foram levados em consideração podem fazer este tempo se elevar bastante – Apesar da jornada diária de trabalho, qual programador fica, efetivamente, 8 horas por dia apenas codificando ou estudando Ruby? E outro fator, não menos importante: O prazer com que a pessoa exerce determinada atividade – de nada vale 8 horas efetivas diárias se isto for um grande sacrifício. Obie comparou este último fato com o aprendizado de violino – Uma pessoa que desde sua infância pratica e estuda horas e horas por dia o instrumento, mas não tem o mínimo prazer em fazer isto, definitivamente o tempo que ela levará para se tornar uma especialista é extremamente superior (isto se fosse possível).
Entendo que pode paracer uma série de obviedades, e pode até ser, mas foi brilhantemente exposta por Obie Fernandez. Recomendo assistirem ou lerem algum material de sua autoria. Mas as partes mais legais, na minha opinião, foram as menções ao desenvolvimento ágil:
Assim como um artista plástico idealiza uma obra de arte em que o resultado final não é claro em sua mente, não se deve esperar que o desenvolvedor preveja todas as funcionalidades e o formato definitivo do sistema antes mesmo de começar a desenvolver – o pecado capital da maioria das metodologias clássicas de engenharia de software. Da mesma forma, o artista não pinta um quadro o dividindo em partes isoladas, assim como o desenvolvimento e a programação de um sistema pode fluir muito melhor se não for excessivamente modularizada. Reparem nas diferenças: Outra prática muito comum utilizada em metodologias de desenvolvimento ágil são os testes automatizados de sistema: TDD (Test Driven Development ou Desenvolvimento Orientado a Testes). Uma feature de um sistema só deve ser codificada caso um teste para esta feature também já tiver sido previamente codificado, garantindo a integridade de todo o sistema, evitando, ou melhor, evidenciando uma porção de erros inimagináveis em futuras modificações sem que eles precisem ser encontrados pelo usuário final (como acontece na maioria das vezes em que um sistema é desenvolvido sem testes automatizados) e principalmente proporcionando uma visão clara e garantida do funcionamento do sistema como um todo, sem ao menos ter realizado nenhum teste real, assim como alguns especialistas da música conseguem imaginar perfeitamente como é a melodia da obra sem a ter ouvido nem uma única vez, apenas pela sua partitura.
A palestra foi ótima!
Aos programadores que não conhecem estes tipos de metodologias (Agile Development, TDD, etc), recomendo fortemente que pesquisem sobre. Ficam aí alguns links: