Archive for the ‘Diário Expandido’ category

Nem tudo é o que parece ser

outubro 11th, 2009

Quarta-feira (07/10) tive outra aula de psicologia cognitiva, que foi muito interessante por sinal. Demos início aos estudos sobre percepção e sistemas sensoriais – mecanismos do nosso organismo e da nossa mente utilizados para a representação do mundo.

Antes de dar continuidade, gostaria de salientar como é curioso o fato de que muitas vezes temos idéias e opiniões sobre um determinado assunto, mas só nos convencemos e começamos a crer realmente nestas hipóteses quando presenciamos algo sistematizado pleiteando o que acreditávamos. Foi mais ou menos o que ocorreu nesta aula – Minhas idéias e noções acabaram sendo confirmadas, principalmente pelo caráter científico como as explicações foram realizadas.

O que é a realidade?

realidade_ilusao

Percebem como a nossa mente insiste em nos mostrar coisas que não existem? Pois foi justamente esta a idéia principal da última aula – ilustrar através de ilusões de ótica e de explicações científicas sobre como funciona a percepção do ser humano, para evidenciar o fato de que o mundo como o observamos e percebemos pode não ser o mesmo que outros seres percebem.

Conhecemos os 5 mecanismos de nosso organismo utilizados para a nossa percepção do mundo externo, os 5 sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato). Podemos extendê-los através destes fatores:

Visual: Radiação eletromagnética;

Audição: Pressão do ar;

Química: Moléculas e íons;

Somestesia: Pressão/lesão mecânica e temperatura;

Propriocepção: Posição do corpo;

Interocepção: Pressão/lesão internas.

Como pode ser notado, estes mecanismos funcionam cada um de acordo com um tipo de interferência externa ao organismo, fazendo com que ele reaja de formas variadas, criando assim a nossa percepção.

Nesta aula nos concentramos em estudar a influência da luz em nossos olhos, que gera a visão, e a influência da pressão do ar em nossos ouvidos, que gera a audição.

Assistam esta explicação sobre o funcionamento da audição humana e esta explicação sobre o funcionamento da visão humana.

É evidente que em outros seres vivos, ou mesmo em alguns humanos com deficiências nestes sistemas sensoriais, qualquer alteração no esquema de lentes, cones, bastonetes, retina, entre outros componentes do olho ou no tímpano, nos ossículos e em outros componentes do ouvido, a percepção do mundo também é alterada, evidenciando como pode (ou não) ser limitado o nosso conhecimento sobre o “mundo real”.

Um fato interessante que ocorre frequentemente com as nossas mentes é a ilusão baseada em nossas experiências diárias, vejam este exemplo:

furos1

Percebam que há saliências nas colunas laterais e central da imagem acima e concavidades na segunda e na terceira coluna. Isto na verdade é o que a maioria das pessoas percebem, uma ilusão causada pela nossa mente pelo simples fato de que estamos acostumados com luz que vem de cima (em casa, na rua, o sol, a lua, etc), se estas luzes do nosso dia-a-dia viessem de baixo, o efeito seria contrário.

Nesta aula ainda vimos alguma coisa sobre os nossos limites de percepção – limites máximos e mínimos de frequencias visuais e auditivas que um ser humano pode perceber, e as maneiras como isto também pode se tornar um fator limitante do nosso conhecimento sobre o que realmente ocorre ao nosso redor.

Todos estes assuntos me remetiam sempre à mesma história da Caverna de Platão e pretendo dedicar um post exclusivo a este tema.

É isto aí, as aulas estão ficando mais interessantes a cada dia, não deixem de acompanhar as seguintes! ;)

Enquanto isso, divirtam-se com algumas ilusões de ótica e surpreendam-se com o poder da nossa mente…

Gnothi Seauton

outubro 6th, 2009

Segunda-feira passada (28/09) iniciaram as aulas do 3º trimestre na UFABC. Cursarei 4 disciplinas durante estes 3 meses: Algorítimos e Estruturas de Dados I, Introdução às Equações Diferenciais e Ordinárias, Transformações Químicas e Psicologia Cognitiva.

Darei uma atenção especial a esta última disciplina, ministrada pelos professores Dr. Peter Maurice e Dr. Yossi Zana. Através de posts tentarei expor as aulas, trabalhos, experimentos e minhas idéias sobre o tema.

O título do post Gnothi Seauton, do grego, Conhece-te a ti mesmo,  foi utilizado em minha primeira aula de psicologia cognitiva para ilustrar a idéia central da disciplina.

Gnothi Seauton

Vitral com a versão contraída de γνῶθι σαυτόν

Ainda estamos nas aulas introdutórias, não me aprofundarei, portanto, sobre elas nestes primeiros posts (Introdução à psicologia cognitiva e Neurociência cognitiva)

Segue abaixo alguns temas e assuntos que serão explorados em futuros posts, baseados nas aulas, não necessariamente em ordem cronológica:

Percepção – Quais são os mecanismos cognitivos que nos possibilitam representar o mundo externo.

Atenção e consciência – O  que é consciência e qual é sua relação com atenção.

Memória – O que afeta nossa habilidade de recuperar informações da memória.

Representação de informação – Há sons e imagens em nosso cérebro?

Linguagem – Como entendemos e produzimos a fala.

Solução de problemas e criatividade – Quais estratégias são utilizadas para resolver problemas.

Tomada de decisão e racionalização – Como tomamos uma decisão.

Emoção e motivação – Como estados afetivos influenciam processos cognitivos.

Inteligência humana e artificial – Humanos são mais inteligentes do que computadores?

Espero que os assuntos despertem alguma curiosidade, pois pretendo explorá-los de forma peculiar, com exemplos práticos e argumentos científicos.

Até as próximas!

Discurso do Lula no COI

outubro 3rd, 2009

Update: O fato de eu concordar e elogiar o que ocorreu ontem não significa que eu considero que tudo está perfeito no Brasil, nem que nosso presidente é um santo, nem nada disso, muito menos que os Jogos Olímpicos resolverão todos os nossos problemas. Mas lembrem-se de ter o discernimento do que é trivial para a nossa sociedade e do que é necessário para melhorar a imagem de uma nação e o orgulho de seu povo. Tentem evitar hipocrrisias, por favor.

Hoje pela manhã assisti ao discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no COI (Comitê Olímpico Internacional) e me senti orgulhoso, como brasileiro, pela representação e pela paixão com a qual o nosso presidente defendeu a candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016.

Fiz questão de transcrever o discurso na íntegra:

“Senhor presidente, senhores e senhoras, membros do comitê olímpico, companheiros da delegação brasileira, amigos e amigas.

Com muito orgulho represento aqui as esperanças e sonhos de mais de 180 milhões de brasileiros. Muitos nos acompanham pela TV neste momento – em telões, nas areias de Copacabana, nas vitrines das lojas em São Paulo, ou em pequenos televisores às margens do Rio Amazonas. Estão todos unidos torcendo pelo Rio de Janeiro.

Somos um povo apaixonado pelo esporte, apaixonado pela vida. Olhando para os 5 aros do símbolo olímpico vejo neles o meu país – Um Brasil de homens e mulheres de todos os continentes: americanos, europeus, africanos, asiáticos… Todos orgulhosos de suas origens e mais orgulhosos de se sentirem brasileiros. Não só somos um povo misturado, mas um povo que gosta muito de ser misturado. É o que faz a nossa integridade.

Digo com toda franquesa: chegou nossa hora. Entre as 10 maiores economias do mundo, o Brasil é o unico país que não sediou os jogos olímpicos e para-olímpicos. Entre os países que disputam hoje a indicação somos os únicos que nunca tivemos essa honra. Para os outros será apenas mais uma Olimpíadas, para nós será uma oportunidade sem igual. Aumentará a auto-estima dos brasileiros, consolidará conquistas recentes, estimulará novos avanços.

Esta candidatura não é só nossa, é também da América do Sul, um continente com quase 400 milhões de homens e mulheres e cerca de 180 milhões de jovens. Um continente que como vimos nunca sediou os jogos olímpicos. Está na hora de corrigir este desequilíbrio.

Para o movimento olímpico esta decisão abrirá uma nova e promissora fronteira. O COI já mostrou ser capaz de enfrentar e vencer desafios. Mantendo acesa a chama da tradição, soube modernizar os jogos , introduziu novas modalidades, abriu-se a novas tecnologias, atraiu um número cada vez maior de países. O desafio agora é outro: expandir as Olimpíadas para novos continentes, é hora de acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda e maravilhosa cidade, o Rio de Janeiro.

Para a América do Sul será um momento mágico, para o movimento olímpico, uma oportunidade de sentir o calor de nosso povo, a exuberância de nossa cultura, o sol de nossa alegria e de passar uma mensagem clara para o mundo: as Olimpíadas pertecem a todos os povos, a todos os continetes, a humanidade inteira.

Aprendemos muito nos ultimos tempos. Na realização grandiosa dos jogos Panamericanos de 2007, nas Olimpíadas ano passado em Beijin, na visita às obras do Parque Olímpico de Londres, nos encontros pelo mundo com os membros da família olímpica. Este é o motivo polo qual meu governo está tão comprometido com a candidatura do Rio de Janeiro. Demos todas as garantias possíveis à realização dos jogos, aprovamos financiamenteos significativos e abrangentes, conscientes do legado que os jogos deixarão para o Rio de Janeiro.

Meus amigos e minhas amigas, o Brasil vive um excelente momento, trabalhamos muito nas últimas décadas, temos uma economia organizada e pujante que enfrentou sem sobressaltos a crise q ainda assola tantas nações. Vivemos num clima  de liberdade e democracia. Nos últimos anos 30 milhões de brasilerios saíram da pobreza e 21  milhões passaram a integrar a nova classe média. A superação de dificuldades é o que marca a história recente do Brasil e a trajetória de milhões de brasileiros.

Acabo de participar da cúpula do G-20, em Pitsburgo, na qual se desenhou por consenso um novo mapa econômico mundial. Esse mapa reconhece a importância de países emergetnes como o Brasil no cenário global e sobretudo na superação da crise mundial. Tenho orgulho como brasileiro de ter participado desse processo e de ver o Brasil como parte da solução.

A parceria que a candidatura do Rio propõe à família olímpica leva em conta esse novo cenário no qual o nosso país conquistou o seu lugar. As portas do Brasil estão abertas para a maior festa da humanidade: os jogos olímpicos e para-olímpicos numa das mais belas e acolhedoras cidade de todo o mundo. Precisamos do apoio e da visão de futuro das senhoras e dos senhores. O Rio está pronto. Os que nos derem esta chance não se arrependerão. Estajam certos, os jogos olímpicos do Rio serão inesquecíveis pois estarão cheios da paixão, da alegria e da criatividade do povo brasileiro. Muito obrigado.”

É isso aí, este foi o discurso do nosso presidente, que colaborou, nesta tarde, para a escolha do Rio de Janeiro, do Brasil, para sediar os Jogos Olímpicos em 2016!

Parabéns!

Vídeo do discurso:

Behind that white webpage

setembro 30th, 2009

Está acontecendo  na UFABC a Semana do CMCC – palestras, mini-cursos, workshops, exposições de projetos universitários e competições, envolvendo tecnologia, computação e matemática.

Ontem, 29 de setembro, uma das palestras foi ministrada por Igor Prata Soares (Google Inc.), a convite do meu professor João Paulo Gois.

“Behind that white webpage” (Por trás da página branca) -  a palestra de Igor forneceu algumas noções sobre o funcionamento da página de buscas do Google e sobre a sua infra-estrutura.

Tentarei levantar as principais abordagens da palestra e deixarei, ao final do post, os apelos, ou conselhos, colocados por Igor no fechamento de sua apresentação.

Logotipo do Google

O mecanismo de buscas do Google é basicamente dividio em 3 etapas:

Coleção de páginas: Anteriormente a uma pesquisa por determinada query, ou palavra, e à sua indexação e apresentação dos resultados ao usuário, as páginas existentes na web devem ser catalogadas e, acima disto tudo, devem ser visíveis pelo software.

Para que esta visibilidade aconteça, é necessário que uma lista de links aponte para algumas páginas, sendo estas catalogadas e seus links coletados para o aumento da lista e assim por diante, mapeando desta forma todo o conteúdo que existe na rede. As páginas recentes, que ainda não são apontadas por nenhum link na web, também podem ser indexadas pelo Google através de um serviço fornecido pela própria empresa.

Segundo Igor, o coletor (crawler) é o elemento mais difícil de ser implementado a nível de programação.

Indexação: Uma vez coletadas as páginas que poderão ser apresentadas como resultado da busca de um usuário, todo este conteúdo deve ser mapeado e acessível, em outras palavras, o conteúdo deve ser indexado.  Exemplo hipotético de como as palavras e páginas são indexadas pelo Google:

Supondo que {A, B} são todas as palavras existentes na Web e {1, 2, 3} todos os documentos (páginas), coletados pelo crawler do buscador, a indexação poderia ser feita da seguinte maneira:

A {1, 2}

B {2, 3}

De forma que cada palavra é uma verdadeira chave ou ponteiro para todos os documentos que as contém em seu conteúdo. A busca por A or B, por exemplo, retornaria a união entre os documentos apontados por A e os apontados por B: {1, 2, 3}. Já a busca por A and B, retornaria a intersecção entre os documentos apontados por A e os apontados por B: {2}.

Através deste conceito não muito difícil de ser entendido, uma busca real no Google pelas palavras-chaves diário expandido , retorna aproximadamente 2.840.000 de páginas.

Processamento de relevância: Finalmente, após serem coletadas pelo Crawler e encontradas e mapeadas pelo indexador, as páginas devem passar por um crivo que determina a relevância de cada página perante o termo buscado pelo usuário, apresentando-as logo nas primeiras páginas.

São mais de 100 os critérios para determinação da relevância de uma página, baseados exclusivamente no conteúdo dos documentos, por exemplo: Título da página, tamanho da fonte, proximidade entre as palavras buscadas no texto do documento, meta-tags do código HTML, quantidade ou frequencia das palavras, etc.

Mas a maioria destes critérios “on page” já eram utilizados por outros buscadores anteriores ao Google, foi aí que, pensando fora da caixa, saindo da dimensão dos documentos e partindo para algo mais macroscópico, os então estudantes da Stanford University Larry Page e Sergey Brin, tiveram a grande sacada de bilhões de dólares, o PageRank.

O PageRank é o nível de visibilidade de uma determinada página no resto da Web. Basicamente, quanto mais páginas apontam para uma específica, mais relevante ela é e quanto maior o PageRank de uma página, maiores são os PageRank’s das páginas apontadas por ela, criando um grande grafo que é geniosamente calculado pelos algoritimos do Google.

Google PageRank

A palestra ainda se estendeu com explicações sobre a escalabilidade e a infra-estrutura da empresa.

Milhares de computadores comuns são mais vantajosos do que poucos super-computadores para o processamento, indexação, etc. levando em consideração o custo/manutenção. Na Google, caso uma máquina falhe (e falham!), ela é retirada na hora, outra é colocada no lugar e automaticamente configurada, sem causar grandes transtornos em seus serviços.

Igor Prata Soares finalizou a sua apresentação alertando os universitários presentes sobre a importância da vida e do convívio acadêmico e de como isso pode influenciar, caso queiram fazer parte de uma empresa como a Google, ou mesmo criarem a “idéia de bilhões de dólares”, frizando sempre o valor daqueles que pensam fora da caixa.


É isso aí, espero ter agregado um pouco de conteúdo aos meus leitores com este breve resumo sobre a excelente palestra que assisti.

Agradeço ao professor João Paulo Gois pela oportunidade e ao Igor Prata Soares pela boa vontade em ter vindo de Belo Horizonte para Santo André, parabenizo-o também pela sua apresentação e pelo seu fabuloso trabalho.

Aos que se interessaram sobre os detalhes do processamento da relevância de uma página, aproveito para divulgar o trabalho de @marthagabriel, especialista em Search Engine Optimization – www.martha.com.br

Se beber, não case

setembro 27th, 2009

Semana estranha: Burguer King sem carne, convite na faixa para o Rails Summit, doutores humildes e férias na UFABC.

Ok, uma semana de recesso não deve levar o título de férias, mas o descanso é bem-vindo e agradável.  Agradeço ao Lucas que fez excelentes escolhas durante esta semana não muito convencional: a torta holandesa e o excelente filme Se beber, não case (The Hangover), tema deste post.

Se beber, não case (The Hangover)

Se beber, não case (The Hangover)

Dirigido por Todd Phillips (Old School), o filme apresenta a inesquecível despedida de solteiro de Doug (Justin Bartha), junto a seus amigos, o professor Phil Wenneck (Bradley Cooper), o dentista, que se diz médico, Stu Price (Ed Helms) e seu cunhado sádico, mas boa gente, Alan Garner (Zach Galifianakis).

Os quatro amigos têm apenas dois dias que antecedem o casório de Doug para aproveitarem o fabuloso cenário dos hotéis e cassinos de Las Vegas.

Logo na primeira noite Alan, inocentemente, oferece um drink “batizado” aos seus companheiros no telhado do hotel de luxo onde estão hospedados (foto). No dia seguinte, sob o efeito de uma grande ressaca, os amigos acordam sem se lembrarem de absolutamente nada que se passou durante a madrugada. Ficam surpresos ao encontrarem a poltrona queimada, uma galinha perambulando no quarto, um dente faltando na boca de Stu, um tigre no banheiro, um bebê no armário e Doug desaparecido…

Correndo contra o tempo, Phil, Stu e Alan passam por situações completamente inusitadas para descobrirem o que aprontaram durante a noite passada, encontrarem Doug e voltarem a tempo para o seu casamento.

Se beber, não case envolve muito Nonsense, uma pitada de sadicismo, surpresas e boas gargalhadas, sem perder a classe nem apelar para o previsível.

Recomendo o filme de olhos fechados para qualquer exigente e crítico de cinema!

Website oficial do filme: http://hangovermovie.warnerbros.com/