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Tomada de decisões: Teoria da utilidade e do prospecto

novembro 29th, 2009

Em minha última aula de Psicologia Cognitiva demos continuidade ao tema tomada de decisões, abordando heurísticas e métodos utilizados por seres humanos em suas decisões, julgamentos e raciocínio. Neste post vou me concentrar nas teorias da utilidade e do prospecto.

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O professor Peter Claessens deu início fazendo a seguinte proposta fictícia à classe:

Você tem a opção de jogar 2 dados de 6 lados. Caso o resultado dos 2 dados lançados sejam iguais, você ganha R$12,00, caso contrário, você perde R$3,00. Você toparia entrar na aposta?

Segundo a Teoria Normativa, aquela inspirada pela economia, a probabilidade do resultado ser 2 dados iguais é de 1/6, enquanto a probabilidade de ser 2 dados diferentes é de 5/6. Assim sendo, o valor esperado para aquele que aceita a aposta é calculado da seguinte maneira:

Valor esperado = 1/6 x R$12,00 + 5/6 x R$3,00 = -R$0,50

Podemos considerar então, 2 tipos de decisão daquele que recebeu a proposta:

Decisão A: Não aceitar – Ganho esperado de R$0,00

Decisão B: Aceitar – Ganho esperado de -R$0,50 (Perda de R$0,50)

Podendo concluir que, segundo a teoria normativa ou teoria da utilidade esperada, a melhor decisão seria não aceitar a proposta, considerando que o ganho esperado é maior.

Daniel KAHNEMANEntretando, a Teoria do Prospecto, proposta por Kahneman & Tversky, ou Teoria descritiva, que levou o psicólogo Kahneman ganhar o prêmio Nobel de economia em 2002, evidencia, através de experimentos comportamentais, o fato de que as tomadas de decisões entre os seres humanos seguem alguns padrões que não necessariamente são baseadas em probabilidades de ganhos esperados. Vejamos as seguintes propostas:

Jogo A: Escolher entre

  • Ganho de R$500,00 com 100% de probabilidade
  • Ganho de R$1000,00 com 50% de probabilidade (sendo os outros 50%, R$0,00)

Jogo B:Escolher entre

  • Perda de R$500,00 com 100% de probabilidade
  • Perda de R$1000,00 com 50% de probabilidade (sendo os outros 50%, R$0,00)

Os experimentos comportamentais revelaram que no caso do Jogo A, a maioria das pessoas optou pelo ganho certo de R$500,00, enquanto no  Jogo B, a maioria optou pela perda incerta de R$1000,00. Ou seja, a perda “pesa mais” para o ser humano, que possui aversão ao risco em ganho e busca de risco em perda.

Vejamos outro experimento comportamental. Dois dilemas foram propostos aos voluntários:

Dilema 1: Aplicando a vacina

  • A, 200 pessoas serão salvas com probabilidade de 100%
  • B, 600 pessoas serão salvas com probabilidade de 33,3%

Dilema 2: Aplicando a vacina

  • C, 400 pessoas morrerão com probabilidade de 100%
  • D, Niguém morrerá com probabilidade de 33,3%

Os resultados revelaram que no caso do Dilema 1, 72% das pessoas optaram pela aversão ao risco (vacina A), enquanto no Dilema 2, 78% das pessoas optaram pela busca de risco (vacina D). Estes resultados revelam a limitação da racionalidade do ser humano, visto que se forem analisadas as probabilidades dos 2 dilemas, se tratam exatamente do mesmo problema. Este é o chamado efeito de estruturação: quando o mesmo problema leva a estratégias diferentes devido ao enquadramento (aspectos irrelevantes para a decisão).

Em aula vimos ainda sobre alguns aspectos da tomada de decisões em grupo. Nestes tipos de decisão temos geralmente alguns aspectos vantajosos: acumulação de idéias, conhecimento e memória. E alguns desnvantajosos: O pensamento de grupo pode atrapalhar a tendência para evitar conflitos, causar atitude de mente fechada, supressão de dissensão, unânimidade falsa e decisões prematuras, conservadoras e imperfeitas. O “andídoto” proposto para evitar estas desvantagens me lembrou muito as idéias do desenvolvimento ágil, que já comentei em outros posts: Líder imparcial, cultura aberta à crítica construtiva, a informações vindas de fora, formação de subgrupos, etc.

Concluímos que a teoria da utilidade desconsidera o fato de que muitas situações de risco são sujeitas a pressão emocional e de tempo, e que existem algumas variáveis que nos impossibilitam de utilizar 100% de nossa racionalidade – todos os cálculos e probabilidades nem sempre cabem em nossa memória de trabalho. E é por este motivo que o ser humano acaba, naturalmente, utilizando heurísticas: modelos de tomada de decisão que nem sempre retornam a solução otimizada, mas a mais sensata, levando em consideração as inúmeras variáveis que possuem os seres-humanos.

Saiba mais sobre:

Daniel Kahneman: http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_Kahneman

Teoria do prospecto:http://en.wikipedia.org/wiki/Prospect_theory

Não percam os meus próximos 2 posts: Continuarei tratando sobre o tema “Tomada de Decisões”, abordando métodos e heurísticas utilizadas por seres-humanos em Julgamentos e Raciocínio.

Até a próxima!

This is it!

novembro 7th, 2009

Sexta-feira, calor, muita água, muito café também, almoço no shopping com a galera do trabalho, apresentação dos funcionários novos, nenhuma matéria na faculdade, namorada no fim do expediente, shopping, cinema, pipoca, Michael Jackson, This is it!

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Confesso que fui ao cinema mais pelo interesse de Isabela, minha namorada. Nunca fui grande admirador da figura de Michael Jackson – não por possuir alguma aversão à personalidade, nem tampouco por qualquer tipo de preconceito ou algo do gênero. Ainda assim, tem o meu respeito, meu reconhecimento de sua importância e influência e não nego que sua batida é envolvente, nem que estou assobiando Billie Jean neste exato momento.

Também não posso dizer que seu filme póstumo This is it me fez mudar de opinião e me tornou um fã. Nada disso. Mas definitivamente me envolveu, me fez refletir sobre sua história, apesar do filme não ser nem um pouco biográfico e apesar ainda de meu conhecimento quase nulo sobre a sua vida, salvo aquele adquirido em épocas de escândalos ou nestes últimos meses, após a sua morte. Limitado pela minha ignorância, não ouso tirar conclusões sobre a vida de Michael Jackson, mas tenho palpites e eles absolvem o rei do pop de qualquer acusação de pedofilia e o classificam como uma pessoa boa – não como um exemplo, simplismente como uma pessoa boa.

O documentário de 111 minutos This is it, dirigido por Kenny Ortega, parceiro de Michael Jackson na produção do show, possui filmagens dos bastidores, ensaios e produções de novos video-clipes para os clássicos de MJ, que seriam exibidos no que seria o seu próximo show. Os registros realizados desde a seleção exigente de Michael para os dançarinos do show, até os ensaios para a música de fechamento, iriam para o seu arquivo pessoal e parte deles seriam exibidos durante o espetáculo.

Além da indiscutível capacidade de inovar de Michael Jackson, as filmagens revelaram algumas minunciosidades da personalidade do astro que o tornaram tão inovador e irreverente. Seu perfeccionismo era diferente – os ensaios e as passadas de músicas, tons e passos evidenciavam a capacidade de que Michael tinha de sentir o seu trabalho – repetir um trecho de uma determinada música sozinho, de maneira introspectiva, ou pular, dançar, espernear, sentindo a sua música, até estar satisfeito, não com o tom, com a melodia ou com a coreografia padronizada, mas com a maneira que estes fatores deixavam o seu estado de espírito – e todas estas irreverências criadas naturalmente fariam parte do seu show.

Foi interessante notar como os produtores se comunicavam e davam feedbacks a Michael – havia uma cautela peculiar, ao mesmo tempo em que pareciam preocupados em não aborrecerem o rei, demonstravam um profundo respeito à figura com quem estavam tratando. O mesmo acontecia, de forma ainda mais interessante, quando era Michael Jackson que precisava dar algum feedback aos seus músicos, dançarinos ou produtores – Era modesto, tinha consciência de que seus pedidos seriam atendidos sem pestanejos, mas fazia questão de tentar não demonstrar nenhum tipo de arrogância, nem autoritarismo – “Falo isso por bem”, “Não é por mal”, “Entendam por favor, é tupo por amor – A-M-O-R”, “Deus os abençõe!”. Como eram diferentes as maneiras com que aprendia a ser um artista com seu pai! Como frases singelas como estas demonstravam uma vida inteira de rancor…

Por final, o que mais me fez refletir foram os seus ensaios, mais especificamente a maneira como ele dançava e cantava – não pela irreverência, mas pela economia de esforço. A princípio estranhei muito o fato de seus dançarinos demonstrarem muito mais ânimo do que o próprio Michael Jackson, ou de seus vocais se dedicarem muito mais a darem um espetáculo, mas aos poucos foi possível notar que realmente era uma economia de esforço, Michael chegou a se culpar quando cantou tão bem e promoveu um espetáculo particular aos presentes no ensaio de Just can’t stop love you, dizendo que não deveria ter feito aquilo, que tudo aquilo era apenas um aquecimento. Fui longe me recordando de minhas aulas de física – nenhuma energia se cria ou se destrói, apenas se transforma – se um corpo é solto no ar a gravidade faz com que ele possua energia mecânica, oriunda de sua energia potencial, enquanto estava com velocidade zero – e foi justamente esta energia potencial que Michael Jackson possuia nos ensaios. Comecei a imaginar: Se mesmo sem todo o esforço possível, os bastidores de This is it foram sensacionais, o que o show revelaria no momento de transformar toda aquela energia potencial? E após a sua morte, de que maneira ela foi transformada? Talvez seus amigos próximos ou parentes a tenham utilizado de alguma maneira, ou algum outro artista a aproveitado em algum outro show qualquer, ou talvez o mundo possa ter ficado um pouquinho melhor e grato a Michael Jackson…

Trailer de This is it:

Website oficial do filme: http://www.thisisit-movie.com/

“GOD BLESS YOU!”

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